sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

AS GRANDES PERDAS DE 2017.

MORTES DE JANEIRO A DEZEMBRO


AGUARDE - MATÉRIA SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL.



IRENE STEFÂNIA



Seus primeiros filmes foram "Garota de Ipanema" e "O Mundo Alegre de Helô" (ambos de 1967), mas foi com os longas-metragens "Lance Maior" (dirigido por Sylvio Back) e "Fome de Amor" (de Nelson Pereira dos Santos, e com Leila Diniz) que seu nome ecoou em todo país como uma grande promessa da nova geração. Em 1969, atuou em "Os Paqueras", comédia dirigida por seu partner de "Lance Maior", Reginaldo Faria. No ano seguinte, foi a vez de contracenar com John Herbert em "Cleo & Daniel", com roteiro e direção de Roberto Freire. A bela também trabalhou, em 1971, com outros cineastas engajados como Luiz Carlos Lacerda ("Mãos Vazias"), porém sem tirar o pé do bom humor, como foi o caso do longa "O Doce Esporte do Sexo", de Zelito Viana, que tinha como protagonista o renomado Chico Anísio e os coadjuvantes de peso como Wilson Grey e Arnaud Rodrigues. Depois de uma década de ostracismo seria resgatada por Carlos Reichenbach em "Anjos do Arrabalde" (1987), ao lado da então badalada Betty Faria e da jovem Vanessa Alves. Logo em seguida, voltou para o limbo, até ser convidada por Carlos Alberto Riccelli para atuar em "Signo da Cidade" (2007). Infelizmente, depois disso, nunca mais teve outra grande oportunidade. No dia 18 de dezembro de 2016 sofreu um AVC e assim, desta data em diante, ficou internada vindo a falecer e 5 de janeiro de 2017.



MIGUEL FERRER



Ator norte-americano, nascido em Santa Mônica, na California. Começou carreira carreira na TV nos idos de 1980, Seu primeiro papel de destaque no cinema foi em "Star Trek III - À Procura de Spock" (1984), mas depois fez outro trabalho de ficção cientifica, "Robocop" (1987), e também em "O Retorno de Valentino" (1988), "Twin Peaks: Fire Walk with Me" (1992) e "Mister Magoo" (1997), este, por sua vez, rodado no Brasil. Entre outras participações sem grande destaque, veio a falecer em 19 de janeiro de 2017, aos 61 anos, vítima de câncer na garganta.



MARY TYLER MOORE



  Atriz que marcou toda sua carreira como comediante da série que usava seu nome "Mary Tyler Moore". Iniciou sua vida profissional em outra série "Dick Van Dyke Show" (1961-1966). No cinema é mais lembrada por ter contracenado com Elvis Presley em "Mudança de Hábito" (1969). Sua última aparição foi na série "That ' 70s Show" (2006).
  Morreu em 25 de janeiro de 2017, aos 80 anos, em razão de uma pneumonia e outros fatos pouco esclarecidos.



JOHN HURT


  Um dos maiores atores britânicos a ganhar fama nas décadas de 1970 e 1980, graças a versatilidade inigualável que compensava sua falta de beleza física. Devido ao incrível método de atuação que desenvolvia acabou sendo requisitado em importantes produções que marcaram época, tais como "O Expresso da Meia-Noite" (1978), "Alien, O Oitavo Passageiro" (1979), "O Homem Elefante" (1980), "O Portal do Paraíso" (1980), "O Casal Ostermann" (1983), "1984" (1984), "S.O.S. Tem Um Louco Solto no Espaço" (1987), "Terra da Discórdia" (1990), "Contato" (1997), "Harry Potter e a Pedra Filosofal" (2001), "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" (2008), entre outros.
  Faleceu em 25 de janeiro de 2017, quando ainda sofria de um câncer no pâncreas.



VIDA ALVES



Não era do cinema, mas protagonizou o primeiro beijo da televisão brasileira, mas como o papo aqui é cinema é bom lembrar que ela era tia do cineasta Lael Rodrigues, que dirigiu "Bete Balanço" (1984). Em 2004, Vida foi homenageada na mini-série "Um Só Coração", de Maria Adelaide Amaral. Dez anos depois, lançou o livro "Televisão Brasileira: O Primeiro Beijo e Outras Curiosidades".
  Faleceu aos 88 anos, em 3 de janeiro de 2017, em São Paulo, vítima de falência múltipla de órgãos.



VIC MILITELLO



  Atriz de cinema, teatro e TV. Ficou famosa em 1976, por interpretar Daquinha, uma personagem da novela "Estupido Cupido" (1976), de Mário Prata, exibida pela Rede Globo. Também brilhou no filme "O Rei da Noite" (1975), de Hector Babenco, mas antes já havia trabalhado em "Deu a Louca no Cangaço" (1969) e fez também "Como Consolar Viúvas" (1976), "Romance da Empregada" (1987), "Beijo 2348/72" (1990), "Bellini e a Esfinge" (2001), "Xuxa e Os Duendes 2 - No Caminho das Fadas" (2002), "O Homem do Ano (2003), "Mais Uma Vez Amor" (2005) e "Amanhã Nunca Mais" (2011).
  Como tantos outros citados aqui, este ano, é mais uma vítima de câncer. Morreu em 28 de janeiro de 2017.




BILL PAXTON



Era, de fato, bom ator, mas nunca daqueles que era lembrado para ser protagonista de um filme de peso. Após passar batido em alguns filmes como "Ruas de Fogo", "Exterminador do Futuro" e outros onde era notado, tais como "Aliens, O Resgate" (1986), "Predador 2" (1990) e "True Lies" (1994), sua sorte mudou.  Eis que, de repente, caiu nas graças de Tom Hanks que, certa vez, durante as filmagens de "Appolo 13", desabafou-se dizendo: "Você arruma trabalho rapidinho depois que isso acabar... já eu...". Tom imediatamente ligou para seus amigos influentes e arranjou papel de protagonista para Bill em "Twister" (alguém lembra dele neste filme?). Pois é. Bill era isso. Um bom ator que ninguém nunca lembrava numa lista de cem nomes (ou mais que isso, infelizmente, afinal, cada década oferece, pelo menos, dúzias de atores de personalidade marcante). Bill fazia o tipo comum, mas tinha sorte porque, contudo, era recrutado para trabalhar em super produções, uma delas, foi "Titanic" (1997), onde aparece, em destaque no prólogo. Muito provável graças a sua grande amizade com o cineasta James Cameron. Seu último filme, para se ter ideia do grau das amizades importantes que citei, foi "O Círculo", justamente com o amigo, Tom Hanks, que o indicou para uma super produção décadas atrás. Coisas de Hollywood.
  Bill Paxton faleceu em 25 de fevereiro de 2017. O ator havia sido internado para uma cirurgia cardíaca, em razão de um aneurisma na aorta. Lamentavelmente houve uma complicação que o levou a ter um AVC e consequentemente a morte.   



CHUCK BERRY



  Músico e compositor afroamericano. Para muitos, "O Pai do Rock and Roll". Também divulgado no blog A BÍBLIA DO ROCK. Consta, aqui, por suas participações nos primeiros filmes de rock do cinema.



LOLA ALBRIGHT





JOÃO GILBERTO NOLL


  Escritor gaúcho e autor de peças de teatro, com trabalhos aproveitados no cinema.



MICHAEL BALLHAUS



  Diretor de fotografia e cineasta alemão, responsável pelas imagens de produções consagradas nos Estados Unidos e no mundo, tais como "Depois de Horas" (1985), "A Cor do Dinheiro" (1986), "A Última Tentação de Cristo" (1988), "Os Bons Companheiros" (1990), entre outras. Foi indicado três vezes ao Oscar pelos filmes "Nos Bastidores das Notícias" (1986), "Os Fabulosos Baker Boys" (1989) e "Gangues de Nova York", mas nunca levou nenhum prêmio para casa, infelizmente. Morreu em 12 de abril de 2017, aos 81 anos, em Berlim.



NEUZA AMARAL



  Atriz mais conhecida por seu trabalho em novelas e no teatro. No cinema, iniciou carreira em 1967 em "A Lei do Cão", sendo melhor observada pelo público a partir de 1969, por seu trabalho com o cineasta Domingos de Oliveira em "As Duas Faces da Mesma Moeda", dividindo cena com os consagrados Jorge Dória e Oduvaldo Vianna Filho. Em 1970, marcou presença em companhia de Claudio Cavalcanti e Jece Valadão no literário porém chanchadesco "Memórias de Um Gigôlo" e repetiria o tom de comedia dois anos depois, em "Os Machões", de Reginaldo Faria. O ator e último citado voltaria a dirigi-la em "Quem Tem Medo de Lobisomem?" (1975), também, entre outros filmes fez "Amada Amante" (1978), com o cineasta Claudio Cunha, e "Os Trombadinhas" (1979), desta vez, com o consagradíssimo Anselmo Duarte como diretor e também Raul Cortez como co-astro do filme, que trazia como protagonista ninguém menos que o jogador Pelé. No mesmo ano ainda fez "Pantera Nua" e, após uma grande pausa por causa do sucesso nas novelas, fez o premiado "Pra Frente Brasil", de Roberto Farias, em 1982. Faleceu de embolia pulmonar, aos 86 anos, na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de abril de 2017.



JERRY ADRIANI



  Apesar de ser cantor de sucesso e ídolo da jovem guarda, teve alguns momentos no cinema brasileiro como o longa "Essa Gatinha é Minha" (1966), "Jerry Em busca do Tesouro" (1967) e "Jerry A Grande Parada" (1967), estes três exemplares ajudaram a divulgar sua imagem de artista da música; "Opinião Pública" (1969), de Arnaldo Jabor; e finalmente "Raul Seixas - O Início, O Fim e o Meio" (2012), como depoente do documentário. Morreu de câncer, fato inesperado na opinião de todos os amigos e envolvidos neste episódio traumático.



JONATHAN DEMME



  Cineasta americano que só engrenou na meia-idade, durante a década de 1980, mas com filmes que se tornaram cult como "Handle with Care" (1977), com o ator Paul LeMat (este descoberto por George Lucas, em "American Graffiti"), "Melvin and Howard" (1980), aqui, repetindo a parceria com LeMat; "Armas e Amores" (1984), com Kurt Russell e Goldie Hawn, "Totalmente Selvagem" (1986), onde fez uma nova descoberta, o galã e ator Ray Liotta; e finalmente "De Caso com a Máfia (1988), com a já consagrada Michelle Pfeifer. Realmente, o sucesso mundial só veio acontecer com o oscarizado "O Silêncio dos Inocentes" (1991), tendo como protagonista Sir Anthony Hopkins; e também com "Filadélfia" (1993), reunindo-se com os talentosos Tom Hanks e Denzel Washington. Seu último trabalho no cinema foi "Ricki and The Flash" (2015), com Meryl Streep. Morreu de câncer no esôfago, em 26 de abril de 2017, em Nova York.



LORNA GRAY



  Atriz do clássico cinema americano. Iniciou carreira cantando num grupo de Cleveland, Os Ben Yost's Varsity Coeds, que animavam as salas de cinema. Foi descoberta por um agente da Columbia Pictures, no intervalo de um show da moda. Emergiu com força depois de contracenar com John Wayne em "Dakota" (1945).



NELSON XAVIER



  Renomado ator da TV e do cinema brasileiro, que estreou na novela "Sangue e Areia" (1967), mas que obteve maior repercussão quando aceitou protagonizar o personagem título da série "Lampião e Maria Bonita" (1982). Sua primeira aparição no cinema foi em "Fronteiras do Inferno" (1959) e, posteriormente, "Cidade Ameaçada" (1960), mas somente em "Fuzis" (1964), de Ruy Guerra, e "A Falecida" (1965), de Leon Hirszman, que Nelson teve a chance de representar personagens relevantes as histórias apresentadas nas produções lançadas. Através do cineasta Bráz Chediak, finalmente interpretou um personagem da obra de Plínio Marcos, em "Dois Perdidos numa Noite Suja" (1970), dividindo cena com o magistral ator Emiliano Queiroz. Voltou a trabalhar com Ruy Guerra em "Os Deuses e Os Mortos" (também produção de 1970), ao lado de atores consagrados como Othon Bastos, Norma Benguell, Dina Sfat, Ítala Nandi e Milton Nascimento. Em 1971, Chediak o recrutou novamente para o longa "As Confissões do Frei Abóbora", dividindo, também a autoria do roteiro com o diretor e, mais uma vez, trabalhando em parceria com os atores Norma Benguell e Emiliano Queiroz, incluindo os clássicos Tarcísio Meira, Oswaldo Loureiro e a grande estrela da época, Jacqueline Myrna. A partir daí, Nelson Xavier virou presença marcante nos principais longas do cinema nacional da época: "Vai Trabalhar Vagabundo" (1973), de Hugo Carvana; "Rainha Diaba" (1974), de Antonio Carlos Fontoura; "Dona Flor e seus Dois Maridos" (1976), de Bruno Barreto; "Marília e Marina" (também de 1976), de Luiz Fernando Goulart; "A Queda" (produzido em 1976 porém premiado com o Urso de Prata no festival de Berlim em 1978, produção onde dividiu a direção e o roteiro com Ruy Guerra); "O Bom Burguês" (1979), de Oswaldo Caldeira; "Eles Não Usam Black-Tie" (1981); "Grabriela" (1983), de Bruno Barreto; "O Cangaceiro Trapalhão" (1983), de Daniel Filho e estrelado por Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias; "Para Viver Um Grande Amor" (1984), de Miguel Faria Junior, musical com o cantor Djavan e Patricia Pillar; "O Rei do Rio" (1985), de Fabio Barreto, onde dividiu protagonismo com Nuno Leal Maia; "Luar Sobre Parador" (1988), direção e produção americana de Paul Mazursky, com Richard Dreyfuss, Raul Julia e Sonia Braga a frente do elenco; "Césio 137, O Pesadelo de Goiânia" (1990), de Roberto Pires; "Brincando nos Campos do Senhor" (1991), produção americana dirigida por Hector Babenco, com Tom Berenger liderando o elenco internacional; "Vai Trabalhar Vagabundo 2", de Hugo Carvana; "Lamarca" (1994), de Sérgio Rezende; "O Testamento do Senhor Napumoceno" (1998); "Benjamin" (2003), de Monique Gardenberg; "Narradores de Javé" (2004), de Eliane Caffé; "Chico Xavier" (2010); "As Mães de Chico Xavier" (2011); "O Filme dos Espíritos" (2011); "A Despedida" (2014), de Marcelo Galvão; "Trash, A Esperança Vem do Lixo" (2014); entre outros. Seu último trabalho na TV, onde sua popularidade era maior, foi em "Babilônia" (2015).
  Nelson Xavier faleceu aos 75 anos, vítima de câncer no pulmão, em 10 de maio de 2017, em Uberlândia, Minas Gerais.



POWERS BOOTHE



Ator norte-americano que iniciou sua popularidade nos anos 1970 e 1980, tanto em telefilmes quanto no cinema. Ganhou o prêmio Emmy por seu papel principal em "Guyana Tragedy: The History of Jim Jones". Seu primeiro destaque no cinema foi em "Parceiros da Noite", filme estrelado por Al Pacino, depois fez "Amanhecer Violento" (1984), "Floresta das Esmeraldas" (1985),"O Limite da Traição" (1987), Stalingrado, O Filme (1993), "Tombstone" (1993), "Blue Sky" (1994), "Homens de Honra" (2000), entre outros. Também retomou sua popularidade na série "24 Horas", juntamente com o ator principal Kiefer Sutherland.
  Faleceu aos 68 anos, em 14 de maio de 2017, no desenrolar de um sono, de causas naturais.



ROGER MOORE



Um dos melhores James Bond do cinema. O mais irreverente, segundo alguns especialistas no gênero espionagem. Apesar da fama de protagonizar 007, o ator marcou presença em outros filmes com temas como guerra e espionagem, destaque para "Fuga para Atenas" (1979). Tornou-se Embaixador da Unicef sendo condecorado em 1999.
  Travou heroicamente uma batalha contra o câncer, apesar de já contar com idade avançada (89 anos), vindo a falecer em 23 de maio de 2017.



ADAM WEST



  Ator norteamericano. O primeiro BATMAN a se tornar mais popular na TV (o dos anos 1930 não tinha vingado no seriado) e realidade comprovada quando o longa foi parar no cinema, ainda nos anos 1960, graças ao sucesso da série televisiva.
  Deixou nosso mundo em 9 de junho de 2017, vítima de leucemia.



ANITA PALLENBERG



  Atriz e modelo inglesa. Tornou-se musa dos anos 1960 no universo do pop rock briânico e também dos Rolling Stones, fruto do seu namoro com o músico Brian Jones e também com Keith Richards, com quem teve três filhos, sendo que um morreu de pneumônia. Anita apareceu em filmes que ficaram no imaginário da cultura pop, tais como "Barbarella" (1966), "Candy" (1968), "Performance" (1970), este último estrelado por Mick Jagger.
  Faleceu em 13 de junho de 2017.



JOHN G. AVILDSEN

  Diretor responsável pela série de longas-metragens ("Rocky" e "Rocky V"), com Sylvester Stallone; também os primeiros filmes de "Karate Kid", estrelados por Ralph Macchio. Seu maior privilégio ainda pode ser lembrado como ter dirigido Jack Lemmon em "Sonhos do Passado" (1973), Marlon Brando em "A Fórmula" (1980) e John Belushi em "Estranhos Vizinhos" (1981).
  Morreu em 16 de junho de 2017.

JERRY LEWIS



Dispensa maiores apresentações. Para quem realmente conhece a história do cinema, trata-se do maior comediante que já apareceu na Sétima Arte. Chaplin era o gênio do cinema mudo, mas Jerry Lewis certamente era a maior divindade da comédia do cinema falado. Seu sucesso marcou as décadas de 1950 e 1960, estendendo-se a outras gerações por ter seu trabalho reprisado constantemente na TV. No início de tudo fazia dupla com o galã Dean Martin em casas de shows, programas de rádio e aparições na TV, no final dos anos 1940, e posteriormente em filmes como "Amiga da Onça" (1949), "Minha Amiga Maluca" (1950), "O Marujo Foi na Onda" (1952), "O Biruta e O Folgado" (1952), "Morrendo de Medo"(1953), "Sofrendo da Bola" (1953), "A Farra dos Malandros (1954), "O Rei do Circo" (1954), "O Meninão" (1955), "Artistas e Modelos" (1955), "O Rei do Laço" (1956), entre outros. Depois, Lewis seguiu carreira solo. Por incrível que pareça, sobreviveu décadas, suplantando colegas que partiram antes. Seu último trabalho no cinema foi em "Até que a Morte nos Separe 2", com o comediante brasileiro Leandro Hassum, lançado em 2013. 





E ainda Jacinto Durães (ator português), Telmo de Avelar (ator e dublador), Maria Cabral (atriz portuguesa), Ion Besoiu (ator romeno), Gorden Kaye (ator nascido no Reino Unido), Barbara Hale (atriz americana da série Perry Mason), Emmanuelle Riva (atriz francesa premiada), Augusto Sobral (dramaturgo português), Richard Hatch (Interpretou o Capitão Apollo na série original "Battlestar Galactica", pela qual foi indicado ao Globo de Ouro, na época de sua exibição), João Carlos Bozzo Nascimento (ator brasileiro), Tomás Milián (ator cubano), Christine Kaufmann (atriz alemã), Peter Hansen (ator americano, mais conhecido por seu papel na sop opera "General Hospital"), Margarita Isabel (atriz de novelas mexicanas), Charlie Murphy (Comediante americano, o irmão mais velho de Eddie Murphy), Clifton James (ator nascido em Nova York que ficou famoso graças ao papel do xerife J. W. Pepper em dois filmes da franquia James Bond, assim como "Superman II", também na pele de um xerife), Gustavo Rojo (Ator uruguaio, mais conhecido por seu trabalho na TV), Bruce Hampton (ator e cantor americano), Daliah Lavi (atriz israelense), Victor Lanoux (ator francês, mais popular fora de seu país no filme "Férias Frustradas na Europa" (1985), Mário Jorge Montini (dublador de filmes, famosos pelas vozes de Jack Warden e Freddy Krueger), Mary Tsoni (atriz grega que ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Saravejo, por seu papel em "Kynodontas". Era vocalista de uma banda punk e também maquiadora. Morreu aos 30 anos), Michael Parks (ator americano, que trabalhou no filme "The Hitman", estrelado por Chuck Norris, e também nos filmes cult de Robert Rodrigues e Quentin Tarantino), John Cygan (ator e dublador norteamericano), Marcos Tumura (ator brasileiro), Dina Merrill (atriz americana), Toni Bertorelli (ator italiano), Molly Peters (atriz britânica), Peters Sallis (ator inglês), Glenne Headly (atriz americana), Stephen Furst (ator americano), António Medellín (ator mexicano), Mao Kobayashi (atriz japonesa), Michael Nyqvist (ator sueco, que conseguiu certo destaque no filme de Tom Cruise, "Missão Impossível - Protocolo Fantasma" e "John Wick", filme estrelado por Keanu Reeves).


AGUARDE - MATÉRIA SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL.

domingo, 31 de dezembro de 2017

DAVID CARDOSO POR ELE MESMO

                                                                                       
 

  Ator, músico, produtor e cineasta, não necessariamente nessa ordem, David Cardoso foi o protagonista de muitas histórias. Muito antes de ser o protagonista dos filmes que atuou ou dirigiu, independente das crises que nosso país atravessou, entre elas, a crise de identidade, revelou-se uma espécie de Highlander caboclo. Lastimavelmente vivemos em um país subdesenvolvido. Nunca o povo subestimou tanto sua própria história quanto em nosso passado recente, preferindo, assim, consagrar as produções estrangeiras ao invés do cinema nacional. Apesar da desvantagem financeira de competir com produções milionárias, David Cardoso, nos anos 1970, chegou a ser uma das maiores bilheterias da história, desbancando muitos blockbusters. "Amadas e Violentadas" tornou-se o filme mais lucrativo do ano de seu lançamento (leia-se 1976). A receita? Suor, trabalho e perseverança. O paradoxo? Parte da população não era assim tão contra o cinema brasileiro (mesmo as pornochanchadas) ou então não teria comparecido em peso nos cinemas. Lembrando, também, de outro cineasta, Bruno Barreto, com "Dona Flor e seus Dois Maridos", alcançou a marca de seis milhões de espectadores. Quanto ao intrépido David Cardoso, eu diria que ninguém melhor que ele para nos repassar, através de suas memórias, tudo o que aconteceu com sua carreira, mesmo que de forma sintética. Afinal, a velocidade das ações da Era Digital torna o tempo do entrevistado muito curto, mas nem por isso culturalmente irrelevante. Mesmo assim, com tanta gama de opções em outros sites de entretenimento, o leitor encontrará, nesta entrevista exclusiva, muitas peculiaridades pertinentes, porque, o objetivo principal da "Bíblia do Cinema" é documentar as grandes personalidades históricas da Sétima Arte.
  Com vocês, sem maiores enrolações, o nosso ilustre entrevistado deste mês, abrindo o seu coração e mente aos cinéfilos que lhe prestigiam oportunamente. Como sempre coloco aqui perguntas e respostas num formato de roteiro de cinema.
  Luz, câmera, ação!


                                 

                     




                                                                A ENTREVISTA



EMERSON LINKS

Naturalmente, vamos começar falando da sua carreira antes de idealizar o primeiro longa-metragem do seu currículo como ator. Você sempre quis realizar esse tipo de trabalho em cinema ou tinha em mente se aprimorar em outro segmento?

DAVID CARDOSO

Sempre o cinema. Eu me espelhava nos filmes e atores americanos. Poucos nacionais. Meu sonho era vencer nos Estados Unidos. Infelizmente não deu, embora alguns filmes meus por lá foram exibidos.

EMERSON LINKS

Quais são suas maiores lembranças sobre a história do cinema? (não necessariamente suas influências).

DAVID CARDOSO

Pra você ter uma ideia, o filme "Mogambo", eu vi 26 vezes numa única semana no Cine Metro, na Avenida São João, em São Paulo.

EMERSON LINKS

Quais são suas influências no cinema, tais como gênero de filme, atores e diretores?

DAVID CARDOSO

Meu gênero preferido é o western. Os melhores: "Matar ou Morrer", "Os Brutos Também Amam", "Meu Ódio Será a Sua Herança", "Rastros de Ódio" e mais uma infinidade.

EMERSON LINKS

Você já pensou em seguir a carreira artística, mesmo em esferas diferentes, do tipo "vou me experimentar como músico" ou mesmo algo do nível de um jornalista inserido no circuito cultural?

DAVID CARDOSO

Sou músico (acordeon). Fiz quatro anos de conservatório. Trabalhei durante um ano na Folha de São Paulo. De vez enquando toco tangos e chamamês.

David no esplendor da juventude.



EMERSON LINKS

Você poderia nos contar como foram os seus primeiros passos na carreira, antes de se consagrar comercialmente? (Exemplo: Antes dele se consagrar participou de películas como "O Lamparina" (1963) e "Noite Vazia", "Vidas Estranhas" e "Meu Japão Brasileiro" (1964).

DAVID CARDOSO

Trabalhava na Folha fazendo pesquisa de mercado e dividindo um PF com um colega, Fernando Peludo. Ele me disse que conhecia o Mazzaropi. Quase desmaiei. Fez um bilhete que tenho até hoje me apresentando ao humorista. Abandonei os estudos de cursinho de Direito. Mais tarde, estudei até o terceiro ano e em cinco dias estava na fazenda de Santa, em Taubaté, para o início das filmagens de "O Lamparina". Saudades!



EMERSON LINKS

Você atuou em "Corpo Ardente" (1966) e "Férias no Sul" (1967). Estes filmes despretensiosos que entretinham a população sem a apelação televisiva de hoje, reforçavam a imagem de galã que você desfrutaria ou meramente foi um momento de construção de perfil estético de trabalho?

DAVID CARDOSO

Trabalhava por trabalhar, queria aprender de tudo. Parte técnica, artística, sem nunca reclamar de nada. Era jovem. Dormia em qualquer lugar, comia o que me fosse ofertado. E tentava economizar para comprar o meu primeiro apartamento em São Paulo.



EMERSON LINKS

Bom, como todos sabem (ao menos os mais chegados), estou realizando, também, A BÍBLIA DO ROCK, projeto no qual entrevistei nada menos que 1.982 artistas, produtores, jornalistas e bandas. Nada mais natural eu perguntar a você, agora para a BÍBLIA DO CINEMA (este meu outro projeto em curso), qual foi sua sensação de encarnar um vilão em "Agnaldo Perigo à Vista" (1969) e também de fazer parte do longa-metragem "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", que tinha toda uma trilha sonora de sucessos e que marcou a jovem guarda no cinema?

DAVID CARDOSO

Fiz "Roberto Carlos a 300 Km por Hora". Era o produtor executivo (diretor de produção). Nunca escolhi papéis. Meu negócio era participar daquilo que eu mais amava: fazer cinema. Qualquer coisa estava de bom tamanho pra mim.





EMERSON LINKS

Quais foram suas experiências nos bastidores desta época, onde ídolos genuínos ocupavam o lugar que hoje são ocupados por estrelas fabricadas sem qualquer pingo de talento vocal? Imagine só. Você esteve num filme de Roberto Carlos, viveu intensamente os anos dourados do rock e de um momento de radicalização política e cultural. Em contrapartida tinha que tolerar a rivalidade de artistas e intelectuais de esquerda X astros de direita (ou ícones apolíticos). Em resumo, que memórias você tem desse período que possivelmente não irá se repetir na história do cinema?

DAVID CARDOSO

Fiz três vezes o Programa do Jô Soares. No último, nos anos 1990, disse que com relação ao cinema, tinha saudades do regime militar. E olha que fui um dos mais prejudicados. Corte de mais de dez minutos em cada produção. Mas os filmes foram exibidos. Existia Lei de Obrigatoriedade. Nos tempos atuais a inversão de valores é muito grande. O cinema acabou a não ser para os premiados com a Leis de Incentivo. Cambada de aproveitadores. Parabens, Mazzaropi, Anselmo Duarte, Zé do Caixão, David Cardoso. Isso aqui acabou.



EMERSON LINKS

Ainda falando sobre esse período efervescente da nossa cultura, a telenovela brasileira engatinhava. Você estreou em "O Grande Segredo" (1967). Como surgiu o convite para esse trabalho?

DAVID CARDOSO

Fui tentar TV. Participação pequena, mas que me fez um pouco mais notado. Fiz oito novelas. Sendo quatro como galã. Mas o cinema estava e está em 1º lugar. Como dizia Chico Anísio: "Cinema não se faz com Bolivares, guaranis ou reais, cinema se faz com dólares".

EMERSON LINKS

Enfim, você finalmente viveu um primeiro grande papel em uma obra literária como foi o longa-metragem "A Moreninha" (1970), recentemente lançado em DVD e Blu-ray. Como você foi escolhido para estrelar esse trabalho? Os atores da época eram realmente escolhidos a dedo por serem "bons" ou existiam outros pré-requisitos no processo de escolha?

DAVID CARDOSO

Esse filme me consagrou. Sucesso no Brasil todo e parte do mundo. Glauco Laurelli (diretor) e seu sócio, Luiz Sérgio Person, sentiram que eu tinha o perfil. Não foi fácil. Sou Jacu, halterofilista. Passei dois meses ensaiando com a Jura Otero e Sonia Braga. Parece que o resultado foi satisfatório. No outro ano, participei de quatro filmes. Parecia que eu estava consagrado.



EMERSON LINKS

Como foi a sua experiência na comedia "Os Maridos Traem... As Mulheres Subtraem"?

DAVID CARDOSO

Divertidíssima, ótima equipe artística e técnica. Comedia é sempre bom fazer. O ambiente era dos melhores. Grande Massaini.

EMERSON LINKS

Você trabalhou também com grandes comediantes como Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Zilda Cardoso e Dedé Santana em "Se Meu Dólar Falasse" (1970). Qual foi a sensação de fazer parte disto? Você já tinha consciência de estar trabalhando em algo que seria reconhecido como clássico no futuro?

DAVID CARDOSO

Não imaginava isso. A sensação de estar com esses monstros sagrados era importante pra minha carreira. Ficava atento a tudo até porque fazia parte da produção. Carlos Coimbra, grande artesão, não tinha pulso para controlar alguns atores indisciplinados. O filme fez relativo sucesso.



EMERSON LINKS

No ano seguinte, você atuou em "A Herança". Comente sua participação nesta produção.

DAVID CARDOSO

Ozualdo Candeias, talvez tenha sido o mais intuitivo diretor com quem trabalhei em vários filmes. Era tudo mais fácil. Não havia dinheiro. Pedia-se tudo, de tudo pra todos. Empréstimos de carros, comida, refrigerante, etc. Uma loucura, mas tudo feito com muito amor, retidão, dedicação. Experiência inesquecível.

EMERSON LINKS

Ainda em 1971, você foi ator do filme "Quando as Mulheres Paqueram", onde a atriz Dilma Lóes, nossa entrevistada de meses atrás, marcou presença, dividindo cenas com a não menos bela Sandra Barsotti. Essa comedia tinha uma temática, no meu entender, avançada para a época, uma vez que a sociedade era machista e as mulheres tinham menos conquistas que hoje. Quais foram suas impressões sobre esse trabalho?

DAVID CARDOSO

Grandes profissionais. Não havia estrelismo. Era amor ao cinema. Muito respeito. Apaixonei-me por Sandra. Linda, ótima atriz. Uma graça. Um dos poucos filmes que fiz no Rio.



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Em 1972, você fez "Corrida Em busca do Amor". Comente esse filme, se possível, uma vez que as comedias românticas passaram a serem taxadas de pornochanchadas, um rótulo incomodo (para alguns realizadores) e que se prolongaria por décadas. Qual visão você tinha deste trabalho na época?

DAVID CARDOSO

Fui o galã dessa aventura, comedia rodada nos arredores de São Paulo. Fiquei amigo do Carlão Reinchenbach. Bebíamos e nos divertíamos muito. Também com os outros cantores e humoristas.

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Em "Caiangangue, A Portaria do Diabo", você teve a oportunidade de trabalhar em um faroeste, o que era incomum para a época. Como foi ser dirigido por um grande profissional como Carlos Hugo Christensen e também dividir cena com o emblemático ator Sérgio Britto?

DAVID CARDOSO

Foi um dos filmes mais difíceis em todos os sentidos de que participei. Eu era o diretor de produção e ator principal. Na minha cidade Maracaju - MT (agora MS) não tinha luz, asfalto, telefone, nada. Só a estrada de ferro NOB. Carlos foi um dos mais importantes diretores, tanto na Argentina como no Brasil. Filmes esteticamente perfeitos. Orgulho-me em afirmar que Caingangue foi o maior faroeste já produzido na América do Sul. Elenco afinadíssimo. Anselmo Duarte elogiava a produção todas as vezes que me encontrava. Infelizmente, essa produção de Roberto Farias não foi sucesso, embora os críticos na época deram nota máxima. Sérgio Britto tem uma performance inesquecível. Cenas de batalha (sem tecnologia) nunca feitas. Uma obra prima.

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No longa "Caçada Sangrenta", você viveu outro momento onde a aventura humana predominou? Quais são suas principais memórias sobre esse momento?

DAVID CARDOSO

Contratei o Ozualdo Candeias para dirigir essa minha primeira produção para a DaCar (David Cardoso) no meu estado MT (1974) percorremos oito cidades, cerca de 5 mil km. Uma aventura. Hoje cultuada. Firmei-me como produtor.



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De repente, surgiu o filme "A Ilha do Desejo" (1974) e que possivelmente reforçou o que a crítica ou determinados formadores de opinião chamavam de pornochanchada. Isso te incomodava? Era relevante ter reconhecimento de outra forma, digamos artisticamente, ou isso era mera consequência?

DAVID CARDOSO

Nunca me importei com crítica de qualquer espécie. "A Ilha" foi um acontecimento. Lancei o diretor Jean Garret. Artesão competente e criativo. Fez o roteiro com o meu mentor Ody Fraga. Depois de sua morte eu praticamente parei. Sucesso absoluto. As filas no Cine Marabá (SP) viravam a esquina São João. Em três meses de exibição, o filme já estava pago.

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Em "Sedução" (1974), você dividiu cena com os grandes atores Ney Latorraca e Dionísio Azevedo, além da atriz Sandra Brea, que despontava para os holofotes. Como era o cinema de Fauzi Mansur? O que te atraiu neste projeto?

DAVID CARDOSO

Está entre os cinco melhores filmes que fiz nestes 53 anos de carreira (80 produções: longas, curtas, médias, documentários, filmes institucionais, etc - 34 da minha produtora. Fauzi Mansur, o diretor, acertou em cheio. "Sedução" foi premiado em vários festivais. Eu me torne galã mais cobiçado do Brasil. Isso por mais de 15 anos. Honestamente. Recusei vários papéis. Muitas vezes por estar estrelando uma novela. Participei de oito.



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Segundo informações oficiais, "Amadas e Violentadas" (1976), foi uma das dez maiores bilheterias entre os filmes nacionais do ano de seu lançamento. Quais foram os ingredientes desta película responsáveis por sua popularidade? Foram as atrizes em destaque, o roteiro ou o contexto oferecido como alternativa de entretenimento momentâneo?

DAVID CARDOSO

Primeiro o roteiro caprichado de Ody Fraga. Produção nível "A". Ótimos atores. Estória convincente. Ótima direção de Jean Garret. Superou-se. Meus sócios José Ermirio de Moraes Filho, Gilberto Adrien, Sergio Mellão, Guilherme Mellão ficaram satisfeitos. Eu não parava de trabalhar.



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Reza a lenda que muitas atrizes de sucesso ou mesmo fenômenos fugazes foram lançadas por você como diretor ou mesmo na fase quando ainda era ator influente. Você se sentiu gratificado nesse sentido? Exemplos: Vera Fischer, Sandra Brea, Fernanda de Jesus, Helena Ramos, Zélia Diniz, Márcia Real, Marlene França, Zaira Bueno, Zilda Mayo, Nicole Puzzi, Patricia Scalvi, Matilde Mastrangi.

DAVID CARDOSO

A maioria eu lancei. Outras indiquei para diretores e produtores. Ótimas profissionais. Todas. Chegavam no horário sempre colaborando no projeto. Não havia reclamação. A maioria injustiçadas. Coisas  de Brasil. Agradeço de coração a essas amigas pela ajuda.



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Em "Possuída pelo Pecado" (1976), além de trabalhar com belas atrizes, você voltou a dividir cena com o cantor Agnaldo Rayol. Essa retomada foi casual ou foi um tributo por você ter sido vilão em um filme de sucesso dele?

DAVID CARDOSO

Agnaldo Rayol, grande amigo, padrinho de meu filho James, ator de primeira e um dos maiores cantores deste Brasil, sempre me apoiou e ajudou. Devo muito a ele. Colaborou na produção cedendo sua bela mansão para várias sequencias.

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Daí, veio finalmente seu primeiro filme como diretor, "Dezenove Mulheres e Um Homem" (1977). A quem você creditava tal oportunidade de operar em outra função, além de ser ator?

DAVID CARDOSO

Tomei coragem e fiz o filme que mais me rendeu financeiramente pois não tinha sócios. Fiz o argumento, Ody roteirizou, selecionei elenco e equipe técnica e novamente filmei no meu estado MS. Até agora fiz sete filmes de longa-metragem e média por aqui. Sofri muito. Era o ator principal, produtor e diretor com mais de quarenta pessoas em volta. Com o sucesso, dois meses em cartaz no centro de São Paulo, comprei outro avião (sou piloto) fazenda no pantanal e diversos imóveis.



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Você voltou a dirigir em "Bandido, Fúria do Sexo" (1978). Como foi esse trabalho? Qual foi a repercussão?

DAVID CARDOSO

Fiz às pressas. Em 20 dias. Não aconteceu. Coisas da Sétima Arte.






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Em 1979, você teve um regresso a TV após um longo hiato. Como foi a sua participação na novela "Cara a Cara", da TV Band?

DAVID CARDOSO

Sucesso absoluto. Boa direção e um elenco sem precedentes. Era o galã. Mais Fernanda Montenegro, Fulvio Stefanini, Luiz Gustavo, Débora Duarte, Antonio Marcos e vários outros talentos. Dez meses no ar. Sucesso na Itália.

David Cardoso e Débora Duarte na novela.



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Você logo voltou (novamente) em um filme literário, "O Guarani" (1979), mas apenas como ator, deixando o roteio a cargo de Ody Fraga e a direção nas mãos de Fauzi Mansur. O que você achava desse filme na época e como acredita que ele repercute nos tempos atuais?

DAVID CARDOSO

Infelizmente não foi sucesso. Produção caprichada, mas não caiu no gosto popular. Talvez precisasse ser revisto. Difícil realização. Problemática.

O longa produzido antes de Norma Benguell.



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"A Noite das Taras" (1980) foi outro filme dirigido por você e que lançou a então bela Matilde Mastrangi. Quais foram suas impressões sobre este filme?

DAVID CARDOSO

Não foi o lançamento da Matilde mas seguramente o que a fez conhecida em todo o Brasil. Bati todos os recordes naquele ano. O filme ficou 8 semanas em cartaz no Cine Marabá, no centro de São Paulo. "O Poderoso Chefão" ficou 4.



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Um novo momento para você foi o de ser o protagonista da novela "O Homem Proibido", lançada pela Rede Globo em 1982. Você se recorda deste trabalho que afirmavam ter vínculo com sua imagem no cinema? Que comentários você poderia tecer à respeito?

DAVID CARDOSO

Essa novela foi sucesso na Itália. Tenho todos os capítulos. Foi interditada pela censura na estréia. Numa determinada sequencia eu tirava a camisa. Foram a Brasília e tudo se resolveu. Quanta hipocrisia neste país. Neste ano fiz 29 bailes de debutantes pelo Brasil.



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Você já pensou em se associar a outros talentos, produzindo histórias, projetos promissores ou pretende parar por aí?

DAVID CARDOSO

Como produtor parei completamente. O último foi "Sem Defesa", em 2015. Mas estou aberto a novos projetos.



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Foi uma surpresa para parte do público saber que no resto do país, conforme aponta a matéria de abril deste ano no blog sobre as variadas produções independentes que não recorreram a Lei Rouanet e editais. Surpresa, pergunto, na questão de os temas serem ricos e urgentes, afinal, diferentemente do que acontece no mainstream só temos a opção (ultimamente) de assistir filmes com comediantes de stand up (Paulo Gustavo, Leandro Hassum e congeneres), atores da Globo protagonizando dramas sobre casais que são fracassados no amor ou mesmo fórmulas demasiadamente desgastadas. Ninguém quer inovar?

DAVID CARDOSO

Quase tudo lançado pela Globo vira sucesso, inclusive com relação à música. Se me levarem para eu apresentar um jornal diário com certeza seria sucesso. Manda no país.

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Você pretende assistir essas produções independentes citadas no blog A BÍBLIA DO CINEMA, como é o caso do longa O DIÁRIO DE UM EXORCISTA, de Renato Siqueira, que assim como você é ator, produtor e diretor ao mesmo tempo? Ou como Evandro Berlesi, do Rio Grande do Sul, que criou o grupo de cinema Alvoroço? Ou mesmo Dimas Oliveira Junior, através da Oficina Rosina Pagan, que realiza filmes fora do circuito oficial? (Tenho observado ao entrevistar todos os diretores, aqui, que não há união - quando deveria haver. Não há intercâmbio - quando o certo seria isso (video reportagens anteriores do meu blog). Obs. O próprio entrevistador é cineasta e está tocando projetos como os já mencionados A BÍBLIA DO CINEMA, A BÍBLIA DO ROCK e O AMOR NOS TEMPOS DA INTERNET. Todos estes livros e longas-metragens devidamente registrados no EDA e que estão em curso de pré-produção. Enfim, você pretende assistir os citados, para se atualizar a nova realidade e passar um pouco da sua experiência através de parcerias de diferentes gerações?

DAVID CARDOSO

Não tenho interesse. A tecnologia me atropelou. Sou piloto de aeronave e não sei colocar horas num relógio digital. Não tenho celular e este meu aparelho está péssimo. Mas estou à disposição para interagir com a moçada, ensinando e aprendendo com os mesmos.



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Sobre a polêmica em torno da extinção do Ministério da Cultura e CPI da Lei Rouanet, o que você teria a declarar momentaneamente?

DAVID CARDOSO

Assim como a Embrafilme foi extinta para desespero de alguns produtores, diretores, ladrões do dinheiro público, deveriam fechar tudo, ressuscitar Mazzaropi ou Anselmo Duarte para dirigir um órgão honesto para lançamento de novos valores. O modelo vigente não serve, ou melhor, serve para aqueles que não prestam contas.

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Fale um pouco de seu trabalho no dia a dia, como sobrevive no mercado e planos para o futuro.

DAVID CARDOSO

Tenho vários projetos prontos. Se existir algum maluco produtor interessado, tudo bem. Viajo por todo Brasil interagindo com novos interessados na Sétima Arte e também exibindo meus três últimos filmes. Não tenho parado na minha área pantaneira. Passo quando muito três dias.

Em tempo de campanha política.


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Quais são suas influências como diretor?

DAVID CARDOSO

Não tenho conhecimento. Sou apenas um homem que participou de 80 produções (longas, médias, curtas e documentários, filmes institucionais), 34 da minha produtora DaCar, sem ajuda de leis de incentivo. Sou um bobão. Nunca sofri processo trabalhista por técnicos ou atores. São 53 anos de carreira. Cansei.



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Cite um ou mais injustiçados do cinema brasileiro.

DAVID CARDOSO

Anselmo Duarte, Mazzaropi e David Cardoso.

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Que conselho você daria a um profissional que esteja, agora, iniciando um projeto de cinema, hoje, baseando-se na sua experiência e exemplo como profissional da classe?

DAVID CARDOSO

Não desanime. O sonho nunca acaba. O problema é que, na maioria das vezes, você conclui seu filme e ninguém vai exibi-lo. Se o dinheiro foi seu, paciência. Não há mais leis de proteção como na época do regime militar. Reúna a família, amigos, cineclubes, etc e mostre seu trabalho. Esse nunca vai lhe trair.



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Revele qual pergunta gostaria que lhe fizesse numa entrevista e que ainda não foi feita, até então. Coloque tal pergunta e possível resposta.

DAVID CARDOSO

"Como você gostaria de morrer?" Reposta: "Aos 100 anos tentando transar com uma garota de 18 e sendo assassinado pelo namorado, amante, marido, etc, não dando chance de defesa. Seria a gloria. Na realidade, acredito que dependendo do meu estado de saúde vou repetir o gesto de Hemingway, Getúlio Vargas, Walmor Chagas, sem arrependimento algum. Tive e tenho uma vida repleta das mais variadas emoções.



           





David conferindo a película.

Ao lado do consagrado ator Robert De Niro.


Poster em revista de novelas.


Em 1985, David abordando o temível tema. 


Declaração em tom de desabafo.



FILMOGRAFIA, SEGUNDO O WIKIPEDIA:

Trabalhos como ator de cinema

Trabalhos como ator de TV

Trabalhos como diretor






PARA SABER MAIS SOBRE DAVID CARDOSO, ASSISTA NO YOU TUBE:

Filme: " O Lamparina".

 
Filme: "Noite Vazia" (1964).



Filme: "Férias no Sul" (1967)


Filme: "Agnaldo Perigo à Vista". (1969)

 
Filme: "A Moreninha". (1970).


Filme: "Quando as Mulheres Paqueram" (1971).



Filme: "Caçada Sangrenta" (1973). Creditado no you tube como filme lançado em 1974.

                                          Filme: "Amadas e Violentadas". (1976). Apesar de estar creditado acima como produção de 1975.


Filme: "Corpo Devasso". (1982).



Filme: "Mulher Tentação". (1982)



Filme; "As Seis Mulheres de Adão". (1982).