segunda-feira, 30 de setembro de 2019
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
MORTES DO MÊS DE AGOSTO MARCAM O ANO ASSASSINO
Uma das grandes perdas do mês. Ator veterano que iniciou carreira no cinema em 1961 com apenas 11 anos de idade no longa, "Tercer Mundo", com produção Brasil-Argentina. Ganhou fama graças a super exposição que teve em novelas de sucesso na TV, tais como "O Bem-Amado" (1973), "Locomotivas" (1977), "Pecado Rasgado" (1978), "Marrom Glacé" (1979), "Roque Santeiro" (1985), "O Salvador da Pátria" (1989), entre outras, incluindo programas humorísticos. Entretanto nenhuma novela marcou tanto sua carreira quanto "Estupido Cupido" (1976), onde interpretou o jovem transviado, Caniço, personagem do início dos anos 1960. No cinema, fez uma tímida carreira em filmes como "O Pistoleiro" (1976), "Nos Tempos da Vaselina" (1979), entre outros.
Kito Junqueira, ator que fez sucesso em novelas de TV da década de 1970, na Rede Globo. Entrou para a política concorrendo a deputado federal no Paraná pelo Partido Progressista (PP), mas não se elegeu. Porém, anos antes, em 1994, foi eleito deputado estadual por São Paulo com cerca de 30 mil votos. Sua passagem pelo cinema foi discreta, porém, sua fez carreira no teatro como diretor.
A morte de Fernanda Young pegou todos de surpresa. Era considerada uma das melhores roteiristas de sua geração.
Aguarde a publicação da reportagem.
Kito Junqueira, ator que fez sucesso em novelas de TV da década de 1970, na Rede Globo. Entrou para a política concorrendo a deputado federal no Paraná pelo Partido Progressista (PP), mas não se elegeu. Porém, anos antes, em 1994, foi eleito deputado estadual por São Paulo com cerca de 30 mil votos. Sua passagem pelo cinema foi discreta, porém, sua fez carreira no teatro como diretor.
A morte de Fernanda Young pegou todos de surpresa. Era considerada uma das melhores roteiristas de sua geração.
Aguarde a publicação da reportagem.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
domingo, 30 de junho de 2019
FRANCO ZEFFIRELLI, RUBENS EWALD FILHO E OUTRAS PERDAS DO MÊS
OBS. FAVOR AGUARDAR ENCERRAMENTO DE MATÉRIA ESCRITA EM TEMPO REAL.
FERNANDO RESKI, O FORREST GUMP DO CINEMA BRASILEIRO
Ele atravessou décadas trabalhando com os mais emblemáticos cineastas do nosso cinema, tais como Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias, Bráz Chediak, Aurélio Teixeira, Hugo Carvana, entre outros. Em contrapartida, atuou em filmes de qualidade variada, valendo-se tanto da companhia de atores talentosos quanto de estrelas fugazes. Embora esteja afastado das telas por muitos anos, Reski continua firme trabalhando como apresentador do Programa "Gente Carioca", além de integrar a atual direção do Sated e participar de produções teatrais periódicas. Segundo o google, trata-se de o ator vivo que mais acumulou filmes em seu currículo.
Fernando Reski e a renomada atriz Fernanda Montenegro.
O ator na boa companhia de Vera Fisher.
Transitando por inúmeros gêneros, ainda muito jovem, Fernando participou de uma comedia ambientada na época da jovem guarda, no incrível ano de 1966.
Neste clássico de 1969, Reski aparece como coadjuvante de luxo.
Um dos principais filmes da extensa carreira de Fernando Reski.
Além do programa de TV independente "Gente Carioca", é apresentador do Programa Show Entretenimento, na Rádio Nossa Senhora de Copacabana, 98.7 FM, todas as segundas-feiras, das 20 às 22 H, onde entrevista grandes nomes do meio artístico-cultural.
FILMOGRAFIA DE FERNANDO RESKI, SEGUNDO O WIKIPÉDIA
No cinema[editar | editar código-fonte]
- 1967 - A Lei do Cão .... participação especial[1]
- 1969 - Os Paqueras
- 1973 - O Fraco do Sexo Forte
- 1973 - Vai Trabalhar Vagabundo
- 1973 - The Awakening of Annie
- 1975 - Eu Dou O Que Ela Gosta
- 1975 - O Monstro de Santa Teresa
- 1976 - As Massagistas Profissionais
- 1976 - As Mulheres Que Dão Certo
- 1976 - O Sexomaníaco
- 1976 - O Vampiro de Copacabana
- 1977 - Belas e Corrompidas
- 1977 - Ódio
- 1977 - Nem As Enfermeiras Escapam
- 1977 - O Garanhão no Lago das Virgens
- 1977 - O Seminarista
- 1977 - Snuff, Vítimas do Prazer
- 1978 - A Noiva da Cidade
- 1978 - Amada Amante
- 1978 - O Namorador
- 1979 - Muito Prazer
- 1979 - Nos Tempos da Vaselina
- 1979 - O Coronel e o Lobisomem
- 1979 - O Guarani
- 1979 - O Preço do Prazer
- 1979 - Sábado Alucinante
- 1979 - Lerfá Mú
- 1980 - Amantes Violentos
- 1980 - Consórcio de Intrigas
- 1980 - Insônia
- 1980 - O Grande Palhaço
- 1980 - Os Paspalhões em Pinóquio 2000
- 1980 - Prova de Fogo
- 1980 - Tudo Acontece em Copacabana
- 1981 - A Ilha do Amor
- 1981 - Anjos do Sexo
- 1981 - Crazy - Um Dia Muito Louco
- 1981 - Rapazes da Calçada
- 1981 - Um Marciano em Minha Cama
- 1982 - Profissão Mulher
- 1983 - Depravados em Fúria
- 1984 - Amenic - Entre o Discurso e a Prática
- 1984 - Mulheres Insaciáveis
- 1985 - As Aventuras de Sérgio Mallandro
- 1985 - Bum Bum, a Coisa Erótica
- 1985 - O Verdadeiro Amante Sexual
- 1985 - Urubus e Papagaios
- 1986 - O Homem da Capa Preta
- 1986 - Rockmania
- 1988 - O Diabo na Cama
- 1996 - O Lado Certo da Vida Errada
ASSISTA A ENTREVISTA POSTADA NO CANAL DO YOU TUBE:
Clique na foto para assistir ou abra a janela do you tube.
EM BREVE, A VERSÃO CENSURADA PELA ADMINISTRAÇÃO DO YOU TUBE. AGUARDEM.
sábado, 25 de maio de 2019
LADY FRANCISCO, A ETERNA ESTRELA COADJUVANTE DO CINEMA NACIONAL, AGORA BRILHA NO CÉU
Atriz, conhecida por ser um carrossel de simpatia e popularidade, nos deixou neste sábado, dia 25 de maio, sem a chance de uma despedida que pudesse ser digna de Sétima Arte.
Leyde Chuquer Volla Borelli, nascida em 7 de janeiro de 1935, em Belo Horizonte, Minas Gerais, sempre foi uma guerreira nata, vencedora de várias batalhas que a existência lhe impôs, principalmente a partir do momento que optou por seguir a carreira de atriz, numa época de puro conservadorismo e preconceito, os anos 1950 e 1960 (eis aí um contraste: ela entraria em confronto, décadas depois, com uma atriz pornô, Isis Fischer, no programa Altas Horas, condenando determinados tipos de "coitos"). Entretanto, o que vale, aqui, é sua memória artística, certo? Mas eu tinha que mencionar o fato porque a contradição faz parte da vida humana e com Lady Francisco não seria diferente. Então, desde jovem, ela lutou, venceu e, enfim, ficou famosa, porém, seguiu lutando para se manter no ofício, ignorando a implacável concorrência proclamada pela nova geração de atores. Não fosse pelos problemas de saúde trabalharia mais, vencendo novas batalhas, porém, conforme anunciado na chamada acima, a tão indesejável hora de responder as leis da existência chegou sem dó nem piedade.
Amigos e fãs nas redes sociais estavam preparados para o pior. A artista havia sido internada na UTI do hospital da Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, desde o dia 28 de abril, em virtude de complicações apresentadas no pós-operatório de uma correção de fratura de fêmur: durante um passeio Lady sofrera uma queda ao tentar defender seus cachorros de estimação de um ataque de um grupo de quatro cães maiores. No desenrolar do período houve um decréscimo do seu estado de saúde (ainda não se sabe por quais outras razões isso se deu). Ela não resistiu e seu último sopro de vida, segundo as informações que chegam, foi às 13h10, por falência de múltiplos órgãos, decorrente de isquemia enteromesentérica (transtorno vascular agudo dos intestinos). Como um tecnocrata da dramaturgia televisiva diria: "Este foi um triste final diferentemente dos desfechos felizes das novelas e filmes que Lady Francisco atuou". (...) Eu, dentro de minha esfera geográfica limitada, mesmo espiritualmente impotente, optaria por dizer o seguinte: "Se houve dor física profunda a mesma já findou juntamente com a própria desconfiguração imposta pelo plano material que conduziu Lady ao descanso eterno". São palavras minhas, desprovidas de suporte poético, mas são sinceras.
(Emerson Links)
Contracenando com Francisco Cuoco na novela "Pecado Capital", da TV Globo (1975).
Foto recente: Lady Francisco (da esquerda para a direita), Alcione Mazzeo (ao centro) e Fernanda de Jesus (a direita).
FILMOGRAFIA DE LADY FRANCISCO
Fonte: Wikipedia.
| Ano | Título | Personagem |
|---|---|---|
| 2017 | Goitaca | Mãe Ci/Iara - Mãe d'água |
| Ódio | Estela[16] | |
| 2010 | A Casa Errada | Velha[17] |
| 1987 | Sexo Selvagem dos Filhos da Noite | |
| 1985 | O Verdadeiro Amante Sexual | Marta[18] |
| 1984 | Amenic - Entre o Discurso e a Prática | |
| Aguenta, Coração | Tutuca | |
| 1982 | Punk's - Os Filhos da Noite | |
| Profissão Mulher | Vera | |
| 1981 | Anjos do Sexo | Lourdes[19] |
| Rapazes da Calçada | Luís[20] | |
| 1979 | Uma Estranha História de Amor | Mônica[21] |
| Viúvas Precisam de Consolo | Dolores[22] | |
| O Preço do Prazer | ||
| Os Foragidos da Violência | Paula[23] | |
| 1978 | Os Melhores Momentos da Pornochanchada | Ela Mesma |
| Desejo Violento | ||
| 1977 | Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia | Lígia[24] |
| O Crime do Zé Bigorna | Marlene[25] | |
| 1975 | Com as Calças na Mão | Mulher no Bar |
| O Roubo das Calcinhas | Kátia | |
| O Padre que Queria Pecar | Mulher do Síndico[26] | |
| As Deliciosas Traições do Amor | Petúnia[27] | |
| As Loucuras de um Sedutor | ||
| 1974 | Um Varão entre as Mulheres | Sandra |
PARA SABER MAIS ASSISTA NO YOU TUBE:
A BÍBLIA DO CINEMA 1 - Talk Show: cineasta Emerson Links e
a atriz portuguesa Fernanda de Jesus comentam a notícia da morte de Lady
Francisco.
domingo, 5 de maio de 2019
MORRE JIMMY PIPIOLO, O ASTRO DO HUMOR DOS FILMES DO CANTOR TEIXEIRINHA
Chileno, mas brasileiro e gaúcho de coração, o artista foi popular entre os anos 1970 e 1980, quase ofuscando o ator principal dos filmes em que atuava.
ERA UMA LENDA VIVA
Eu poderia iniciar o texto inserindo a tão desgastada queixa em favor dos artistas veteranos que normalmente são esquecidos pela mídia e, até mesmo, por grande parte do público. Poderia, sim, entretanto isso me faria cair numa vala comum, a qual a maioria dos formadores de opinião fazem de tudo para aparecer e pouco acrescentar. Reclamar não basta, chegou a hora de introduzirmos um novo conceito de revitalização no que concerne a memória de um artista . Aqui, neste blog sobre a história de cinema, em muitos artigos que escrevi, procurei sempre acrescentar alguma coisa, sugeri o que poderia ser aprimorado no universo das produções audiovisuais. Infelizmente, sou apenas uma voz (nem isso) porque, nestas páginas virtuais, me comunico com o público através da palavra escrita. Lembro muito desta questão, desde o dia que conheci o comediante Jimmy Pipiolo (antes dele eu já havia conhecido de dezenas de artistas desafortunados), estava inconformado com sua parcial impopularidade (termo bem inadequado porém pertinente). Era uma fase de escrever e beber vodka de madrugada, pesquisar a exaustão para formatar outro projeto valioso e que, no frigir dos ovos, passaria por uma revisão definitiva. Mas, entrando de cabeça na histórica manhã, recordo fugir da azia, devorando uma maçã Fuji, como de costume. A empolgação era tanta que eu dormi menos e sem arcar com qualquer tipo de déficit de atenção. Eu havia realizado um contato com Jimmy via orkut, a antiga rede social, porém, por intermédio de um número de telefone cedido pelo Teixeirinha Filho, pulei etapas finalmente agendando um encontro (a fim de incluí-lo em meu livro). E foi assim... Quando eu o entrevistei pouco antes do meio dia de um sábado, precisamente em 27 de outubro de 2012, num bar da Rua da Praia, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (a capital gaúcha, para quem não sabe e está chegando agora), foi como se estivesse conhecendo mais um personagem da história do Brasil (como muitos que conheci dentro da cronologia da minha realidade biológica). Na verdade, eu não sinto tão na contra-mão ao mencionar isso. Jimmy Pipiolo pertence a história do humor no cinema brasileiro do século XX. Por uma questão biológica e de cronologia (eu não era nascido em outrora) e só depois, com o advento dos filmes em DVD do Teixeirinha, eu pude conhecê-lo. Eu via esses filmes mais por curiosidade que por gosto pessoal (no caso da música). Isso me faz lembrar que me escapou, também, por razões temporais, a oportunidade de me reunir, também, com outros comediantes clássicos como Oscarito, Grande Otelo, Mazzaropi, Ronald Golias, Ankito e muitos outros. Contudo, por tudo que eu sabia e através da própria entrevista que fiquei sabendo, concluí que Jimmy Pipiolo não era apenas um artista pioneiro do cinema gaúcho, ele, a bem da verdade, havia solidificado seu nome em apresentações ao vivo em teatros, clubes e demais espaços para eventos.
A Sétima Arte, em sua faixa vibratória imbatível, antes a chegada da internet, ajudou a capitalizar a marca pessoal de Jimmy Pipiolo (como artista) e, apesar da popularidade de Teixeirinha no cinema, na TV e nas rádios AM, se o simpático Chileno caísse nas mãos de "produtores espertos" poderia ter seguido carreira solo atuando nas mesmas esferas que Costinha e Ronald Golias. Ele queria muito se desvincular dos filmes em parceria com o ídolo gaúcho, mas, para isso, devia ter insistido em se fixar no eixo Rio-SP, trabalhando no elenco fixo de programas humorísticos, como por exemplo, A Praça É Nossa ou algo do nível de A Escolinha do Professor Raimundo. Considerando o fato de ser estrangeiro (era chileno), de outra forma, podia ter retornado a sua terra natal (especificamente ao seu país de origem) e procurado novos contratos no cinema e na TV, a fim de obter êxito em toda a América Latina. Quis o destino (ou ele próprio) que o melhor já havia sido feito e o que entrasse dali em diante seria lucro.
Da direita para a esquerda: Emerson Links e Jimmy Pipiolo.
A CARREIRA
Juan Manuel Nuñez Vidal era o nome que constava em sua certidão de nascimento. Ele nasceu em 23 de dezembro de 1939, em Santiago, no Chile. Ainda jovem conseguiu se fixar no Brasil. Durante a entrevista que fiz com ele, lembrou que se considerava muito feio e que a melhor ferramenta de ganhar a vida era mesmo a sua aparência e aquilo que podia expressar através dela. Tinha olhos esbugalhados, cabelos encaracolados e levemente acima do peso, mas aprendeu sozinho o ofício, autodidaticamente, ou seja, sabia imitar pessoas como ninguém. Foi o primeiro humorista estrangeiro em solo gaúcho a fazer sucesso no cinema (considerando que o pioneiro do humor em stand up era Renato Pereira, mas o sucesso deste último se restringia ao programa de televisão que participava, o Portovisão, completando um time de jornalistas). No final da década 1960, tempos que o cantor Teixeirinha já fazia sucesso no cinema ("Coração de Luto"), a jovem guarda ainda estava em alta (mesmo sem o programa de TV), a MPB de protesto estava na moda e o rock pesado internacional começava a se tornar o favorito da juventude, parecia não existir lugar para um comediante que chamava atenção de um seleto público quando imitava o então célebre Lucho Gatica. Em um episódio em que Teixeirinha entrou numa churrascaria para matar a fome e se deu de cara com o histriônico Pipiolo atuando em uma esquete impagável, os ventos começaram a soprar a seu favor. Também pudera, o humorista estava imitando ninguém menos que o Teixeirinha (!)
Apesar de engraçado, os diretores implicavam com o português de Jimmy que não era, digamos assim, publicamente digesto. Então, ele acabou sendo dublado por outros atores (profissionais do eixo Rio-SP) em quase todos os filmes que trabalhou com Teixeirinha, "Motorista Sem Limites" (1969), "Ela Tornou-se Freira" (1972), "Teixeirinha a 7 Provas" (1973), "Pobre João" (1975), "Carmem, A Cigana" (1976), "A Quadrilha do Perna Dura" (1976), "Na Trilha da Justiça" (1977), "O Gaúcho de Passo Fundo" (1978), "Meu Pobre Coração de Luto" (1978), "Tropeiro Velho" (1979). Sua última aparição no cinema foi em "As Aventuras de Paulinho Mixaria" (2013), onde divide espaço com comediantes da nova geração incluindo o personagem que dá título ao filme.
Nos períodos de vacas magras, pós-filmes com Teixeirinha (o cantor tinha morrido em 1985), Jimmy recorria aos espetáculos ao vivo em boates e clubes. Eventualmente era chamado para participar de algum programa de TV, mas os velhos tempos jamais voltaram, exceto de forma simbólica quando participou do video clip da banda de rock Video Hits. A espera de projetos que aproveitariam sua presença cênica, entre eles, um longa que eu escrevi em parceria com o filho do Teixeirinha, jamais se concretizaram em razão dos obstáculos criados pela máfia da Lei Rouanet. Jimmy Pipiolo vivendo no país dos privilégios era um dos que mais mereciam continuar no topo, mas estava fora. Meu último contato com ele seria apenas o da realização da entrevista que durou cerca de 120 minutos, por sinal, o tempo de duração de um filme de maior projeção. Eu pretendia reencontrá-lo e apresentá-lo a amigos meus que faziam cinema independente com bom alcance de público. Ele seria bem aproveitado na Alvoroço Filmes (assim como Sirmar Antunes o foi), mas, infelizmente, não sobrou tempo para correr atrás disso. Todos nós já temos compromissos de sobra para honrar.
Não queria encerrar este texto-homenagem falando em morte (já sabemos, agora, que isso aconteceu) e as circunstâncias não importam tanto (pois todos que o conheciam vão querer se lembrar apenas dos bons momentos que passaram no cinema). Mas vá lá: Sábado, dia 3 de maio, por volta das 14 horas, Pipiolo se sentiu mal, sofreu insuficiência respiratória e faleceu na casa do filho dele (Sandro Ricardo Medeiros Nuñez), no bairro Lami, na zona sul de Porto Alegre. Ocorreu que uma unidade da SAMU foi acionada, mas ele não sobreviveu. Então, prefiro encerrar o texto, com algo positivo como, por exemplo, no ano passado, em novembro, momento que o comediante clássico foi personalidade homenageada no "Destaque Cultural", prêmio concedido pela Academia de Escritores do Litoral Norte Gaúcho aos agentes culturais da região. Melhor assim, não?
Jimmy Pipiolo e Pelé.
Um dos filmes de maior sucesso do ator.
Jimmy Pipiolo no elenco de O Gaúcho de Passo Fundo.
ASSISTA no you tube:
Jimmy Pipiolo no Jô Soares.
ERA UMA LENDA VIVA
Eu poderia iniciar o texto inserindo a tão desgastada queixa em favor dos artistas veteranos que normalmente são esquecidos pela mídia e, até mesmo, por grande parte do público. Poderia, sim, entretanto isso me faria cair numa vala comum, a qual a maioria dos formadores de opinião fazem de tudo para aparecer e pouco acrescentar. Reclamar não basta, chegou a hora de introduzirmos um novo conceito de revitalização no que concerne a memória de um artista . Aqui, neste blog sobre a história de cinema, em muitos artigos que escrevi, procurei sempre acrescentar alguma coisa, sugeri o que poderia ser aprimorado no universo das produções audiovisuais. Infelizmente, sou apenas uma voz (nem isso) porque, nestas páginas virtuais, me comunico com o público através da palavra escrita. Lembro muito desta questão, desde o dia que conheci o comediante Jimmy Pipiolo (antes dele eu já havia conhecido de dezenas de artistas desafortunados), estava inconformado com sua parcial impopularidade (termo bem inadequado porém pertinente). Era uma fase de escrever e beber vodka de madrugada, pesquisar a exaustão para formatar outro projeto valioso e que, no frigir dos ovos, passaria por uma revisão definitiva. Mas, entrando de cabeça na histórica manhã, recordo fugir da azia, devorando uma maçã Fuji, como de costume. A empolgação era tanta que eu dormi menos e sem arcar com qualquer tipo de déficit de atenção. Eu havia realizado um contato com Jimmy via orkut, a antiga rede social, porém, por intermédio de um número de telefone cedido pelo Teixeirinha Filho, pulei etapas finalmente agendando um encontro (a fim de incluí-lo em meu livro). E foi assim... Quando eu o entrevistei pouco antes do meio dia de um sábado, precisamente em 27 de outubro de 2012, num bar da Rua da Praia, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (a capital gaúcha, para quem não sabe e está chegando agora), foi como se estivesse conhecendo mais um personagem da história do Brasil (como muitos que conheci dentro da cronologia da minha realidade biológica). Na verdade, eu não sinto tão na contra-mão ao mencionar isso. Jimmy Pipiolo pertence a história do humor no cinema brasileiro do século XX. Por uma questão biológica e de cronologia (eu não era nascido em outrora) e só depois, com o advento dos filmes em DVD do Teixeirinha, eu pude conhecê-lo. Eu via esses filmes mais por curiosidade que por gosto pessoal (no caso da música). Isso me faz lembrar que me escapou, também, por razões temporais, a oportunidade de me reunir, também, com outros comediantes clássicos como Oscarito, Grande Otelo, Mazzaropi, Ronald Golias, Ankito e muitos outros. Contudo, por tudo que eu sabia e através da própria entrevista que fiquei sabendo, concluí que Jimmy Pipiolo não era apenas um artista pioneiro do cinema gaúcho, ele, a bem da verdade, havia solidificado seu nome em apresentações ao vivo em teatros, clubes e demais espaços para eventos.
A Sétima Arte, em sua faixa vibratória imbatível, antes a chegada da internet, ajudou a capitalizar a marca pessoal de Jimmy Pipiolo (como artista) e, apesar da popularidade de Teixeirinha no cinema, na TV e nas rádios AM, se o simpático Chileno caísse nas mãos de "produtores espertos" poderia ter seguido carreira solo atuando nas mesmas esferas que Costinha e Ronald Golias. Ele queria muito se desvincular dos filmes em parceria com o ídolo gaúcho, mas, para isso, devia ter insistido em se fixar no eixo Rio-SP, trabalhando no elenco fixo de programas humorísticos, como por exemplo, A Praça É Nossa ou algo do nível de A Escolinha do Professor Raimundo. Considerando o fato de ser estrangeiro (era chileno), de outra forma, podia ter retornado a sua terra natal (especificamente ao seu país de origem) e procurado novos contratos no cinema e na TV, a fim de obter êxito em toda a América Latina. Quis o destino (ou ele próprio) que o melhor já havia sido feito e o que entrasse dali em diante seria lucro.
Da direita para a esquerda: Emerson Links e Jimmy Pipiolo.
A CARREIRA
Juan Manuel Nuñez Vidal era o nome que constava em sua certidão de nascimento. Ele nasceu em 23 de dezembro de 1939, em Santiago, no Chile. Ainda jovem conseguiu se fixar no Brasil. Durante a entrevista que fiz com ele, lembrou que se considerava muito feio e que a melhor ferramenta de ganhar a vida era mesmo a sua aparência e aquilo que podia expressar através dela. Tinha olhos esbugalhados, cabelos encaracolados e levemente acima do peso, mas aprendeu sozinho o ofício, autodidaticamente, ou seja, sabia imitar pessoas como ninguém. Foi o primeiro humorista estrangeiro em solo gaúcho a fazer sucesso no cinema (considerando que o pioneiro do humor em stand up era Renato Pereira, mas o sucesso deste último se restringia ao programa de televisão que participava, o Portovisão, completando um time de jornalistas). No final da década 1960, tempos que o cantor Teixeirinha já fazia sucesso no cinema ("Coração de Luto"), a jovem guarda ainda estava em alta (mesmo sem o programa de TV), a MPB de protesto estava na moda e o rock pesado internacional começava a se tornar o favorito da juventude, parecia não existir lugar para um comediante que chamava atenção de um seleto público quando imitava o então célebre Lucho Gatica. Em um episódio em que Teixeirinha entrou numa churrascaria para matar a fome e se deu de cara com o histriônico Pipiolo atuando em uma esquete impagável, os ventos começaram a soprar a seu favor. Também pudera, o humorista estava imitando ninguém menos que o Teixeirinha (!)
Apesar de engraçado, os diretores implicavam com o português de Jimmy que não era, digamos assim, publicamente digesto. Então, ele acabou sendo dublado por outros atores (profissionais do eixo Rio-SP) em quase todos os filmes que trabalhou com Teixeirinha, "Motorista Sem Limites" (1969), "Ela Tornou-se Freira" (1972), "Teixeirinha a 7 Provas" (1973), "Pobre João" (1975), "Carmem, A Cigana" (1976), "A Quadrilha do Perna Dura" (1976), "Na Trilha da Justiça" (1977), "O Gaúcho de Passo Fundo" (1978), "Meu Pobre Coração de Luto" (1978), "Tropeiro Velho" (1979). Sua última aparição no cinema foi em "As Aventuras de Paulinho Mixaria" (2013), onde divide espaço com comediantes da nova geração incluindo o personagem que dá título ao filme.
Nos períodos de vacas magras, pós-filmes com Teixeirinha (o cantor tinha morrido em 1985), Jimmy recorria aos espetáculos ao vivo em boates e clubes. Eventualmente era chamado para participar de algum programa de TV, mas os velhos tempos jamais voltaram, exceto de forma simbólica quando participou do video clip da banda de rock Video Hits. A espera de projetos que aproveitariam sua presença cênica, entre eles, um longa que eu escrevi em parceria com o filho do Teixeirinha, jamais se concretizaram em razão dos obstáculos criados pela máfia da Lei Rouanet. Jimmy Pipiolo vivendo no país dos privilégios era um dos que mais mereciam continuar no topo, mas estava fora. Meu último contato com ele seria apenas o da realização da entrevista que durou cerca de 120 minutos, por sinal, o tempo de duração de um filme de maior projeção. Eu pretendia reencontrá-lo e apresentá-lo a amigos meus que faziam cinema independente com bom alcance de público. Ele seria bem aproveitado na Alvoroço Filmes (assim como Sirmar Antunes o foi), mas, infelizmente, não sobrou tempo para correr atrás disso. Todos nós já temos compromissos de sobra para honrar.
Não queria encerrar este texto-homenagem falando em morte (já sabemos, agora, que isso aconteceu) e as circunstâncias não importam tanto (pois todos que o conheciam vão querer se lembrar apenas dos bons momentos que passaram no cinema). Mas vá lá: Sábado, dia 3 de maio, por volta das 14 horas, Pipiolo se sentiu mal, sofreu insuficiência respiratória e faleceu na casa do filho dele (Sandro Ricardo Medeiros Nuñez), no bairro Lami, na zona sul de Porto Alegre. Ocorreu que uma unidade da SAMU foi acionada, mas ele não sobreviveu. Então, prefiro encerrar o texto, com algo positivo como, por exemplo, no ano passado, em novembro, momento que o comediante clássico foi personalidade homenageada no "Destaque Cultural", prêmio concedido pela Academia de Escritores do Litoral Norte Gaúcho aos agentes culturais da região. Melhor assim, não?
Jimmy Pipiolo e Pelé.
Um dos filmes de maior sucesso do ator.
Jimmy Pipiolo no elenco de O Gaúcho de Passo Fundo.
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